Complicações pós-operatórias

15 de maio, 2019
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Prof. Dr. João Tognini

A ciência cirúrgica experimentou um espetacular avanço no século XX, quando os conceitos microbiológicos levaram ao desenvolvimento de antibióticos e as técnicas de anestesiologia foram aprimoradas. Obviamente, o número de procedimentos invasivos e o universo de pacientes capaz de recebê-los expandiu-se substancialmente, fazendo que diferentes técnicas de diversas áreas fossem possíveis.

O aprofundamento no campo fisiológico e fisiopatológico, aliado à compreensão da resposta neuroendócrina ao trauma cirúrgico, também foi fator relevante para que mais e maiores procedimentos estivessem disponíveis para grande número de pacientes, porém, indubitavelmente, por mais que as diferentes formas de abordagem cirúrgica sejam indicadas para beneficiar os pacientes, a equipe cirúrgica convive com diversas complicações. Estas, por sua vez, não são necessariamente relacionadas apenas a fatores técnicos, mas também a fatores fisiopatológicos, ou mesmo à resposta orgânica de determinados pacientes, os quais, muitas vezes, encontram-se extremamente debilitados.

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Complicações cirúrgicas

É imprescindível discutir as complicações cirúrgicas, pois, além de comprometerem a qualidade de vida dos pacientes, têm impacto financeiro substancial sobre os sistemas de saúde e previdenciário, sem contar a necessidade de outros tratamentos para melhor reabilitação dos pacientes.

Didaticamente, podemos destacar três vertentes de complicações pós-operatórias:

  1. Complicações inerentes à doença primária.
  2. Complicações não relacionadas à doença primária.
  3. Complicações decorrentes do ato operatório.

Profilaxia

Certamente, sabendo-se de diversas complicações inerentes ao ato operatório, é mister que se faça a profilaxia da melhor forma possível, a qual consiste em:

  • Privação do tabagismo;
  • Perda de peso;
  • Adequações nutricionais em pacientes de risco;
  • Mobilização precoce pós-operatória;
  • Prevenção de tromboembolismo;
  • Compensação de doenças sistêmicas (exemplos: diabetes, DPOC etc.);
  • Fisioterapia respiratória e motora;
  • Utilização adequada de protocolos de antibioticoterapia.

Complicações sistêmicas e do sítio cirúrgico

Uma classificação bem simples das complicações divide-as em: complicações sistêmicas e complicações do sítio cirúrgico.

Além de dor e febre, vistas como complicações gerais, quase sempre relacionadas a algum fator desencadeante, que pode ou não estar ligado a complicações propriamente ditas, existem as complicações sistêmicas, as quais podem ser exemplificadas pelo sistema orgânico envolvido. O quadro a seguir especifica-as:

‘Quadro 1 – Principais complicações pós-operatórias sistêmicas.

complicacoes_pos_operatoria

No Quadro 2, são especificadas as principais complicações relacionadas ao sítio cirúrgico, que podem tanto ser complicações superficiais das incisões como também complicações intracavitárias, dependendo do sítio cirúrgico envolvido no procedimento.

Quadro 2 – Principais complicações pós-operatórias locais.

complicacoes_pos_operatoria_2

Cabe uma reflexão bastante pertinente: não há cirurgião que nunca tenha enfrentado uma complicação, e a presença dela não significa que o procedimento tenha sido executado de forma inadequada, porém cabe ao cirurgião e a sua equipe terem domínio total do que pode tornar-se uma complicação em cada paciente. Assim, eles devem estar atentos aos mínimos sinais de alarme, a fim de que as imediatas providências sejam tomadas.

Recomendações

Deixamos uma mensagem muito especial de reflexão para quem está iniciando suas atividades: seja correto na prevenção das complicações, conheça seu paciente e seus limites fisiológicos para indicar procedimentos que ele possa suportar, e, eventualmente, diante de alguma complicação, não se lamente, enfrente-a com coragem! Não fuja de seu paciente! O resultado não tão eficaz de início não significa insucesso.

Apoie seu paciente e sua respectiva família. A complicação pode ser bem tolerada e aceita pelo paciente e familiares quando são perceptíveis o apoio e a solidariedade, porém a negligência de não enfrentar o dissabor de uma complicação ou de não apoiar o doente, com certeza, não será bem aceita.

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