Da doação de sangue até a transfusão: conheça os processos laboratoriais

24 de novembro, 2017
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Após ser doado, o sangue passa por etapas de teste e processamento em laboratório para eliminar qualquer possibilidade de contaminação e aumentar o seu potencial, permitindo que mais pessoas possam ser beneficiadas pela mesma bolsa de sangue.  Tais processos laboratoriais são supervisionados por um especialista em hematologia e/ou hemoterapia, que é responsável pelo Hemocentro.

Triagem e análise clínica

O processo começa antes mesmo da doação de sangue, com a pré-triagem. Nesta etapa, um profissional de saúde afere os sinais vitais (pressão arterial, pulso e temperatura), avalia as medidas de altura e peso do doador, e registra a quantidade de hemácias no volume total do sangue coletado. Depois disso, o doador é encaminhado para uma entrevista, onde são avaliados fatores de risco e antecedentes patológicos. Existem doenças que não são detectáveis pelo exame de sorologia ou cuja janela imunológica possibilita que elas passem despercebidos, o que faz com que a entrevista ainda seja necessária.

Fracionamento do sangue

Os componentes sanguíneos são separados através do processo laboratorial denominado fracionamento do sangue, cuja função é permitir que mais de um paciente seja beneficiado com a mesma bolsa, garantindo que cada indivíduo receba apenas o componente sanguíneo necessário e requisitado ao seu tratamento. Os hemocomponentes separados nesse processo são divididos em:

Concentrado de hemácias

Composto pelas células sanguíneas que fazem o transporte do oxigênio para todo o corpo, as hemácias são utilizadas para o tratamento de anemias agudas, muitas vezes, provocadas por hemorragias decorrentes de acidentes ou cirurgias.

Concentrado de plaquetas

Responsáveis pelo mecanismo de coagulação sanguínea, a transfusão de plaquetas é necessária quando uma disfunção causa a diminuição na quantidade deste hemocomponente no sangue, como, por exemplo, durante a quimioterapia, hepatopatias ou em leucemias.

Plasma fresco congelado

Correspondente à parte líquida do sangue, esse hemocomponente contém os fatores de coagulação, com exceção da plaqueta. O plasma é utilizado em casos de sangramento e deficiência de fatores de coagulação, que podem ocorrer em portadores de hemofilia B e grandes queimaduras.

Crioprecipitado (CRIO)

Obtido após processo de descongelamento do plasma fresco congelado em temperatura de 4°C. O crioprecipitado possui o fator Willebrand e fibrinogênio (I) e os fatores de coagulação XIII e VIII, sendo utilizado em tratamentos de pacientes com deficiência de coagulação.

Testes em laboratório

Enquanto o material colhido passa pelo processo de fracionamento, algumas amostras retiradas durante a doação de sangue seguem para testes em laboratório para identificação de possíveis patologias infecciosas, como:

  • Hepatite B;
  • HIV 1 e 2;
  • Sífilis;
  • Doença de Chagas;
  • HTLV I e II.

Validade do sangue

Além das funções, os hemocomponentes possuem vidas úteis diferentes, podendo durar de cinco dias a até um ano. A validade dos elementos é variável de acordo com sua composição:

  • Concentrado de hemácias: 35 a 42 dias;
  • Concentrado de plaquetas: 5 dias;
  • Plasma fresco congelado: 1 ano;
  • Crioprecipitado: 1 ano.

Importância da doação de sangue

A vida curta de alguns hemocomponentes torna ainda mais importante o comparecimento regular da população aos hemocentros para doação de sangue. Uma janela de tempo sem novas doações afeta consideravelmente o estoque de plaquetas, que são essenciais para pacientes com distúrbios de coagulação.

Dia nacional do doador de sangue

Comemorada em 25 de novembro, a data tem a finalidade de homenagear os doadores e, principalmente, chamar atenção para a importância da doação de sangue, tendo como objetivo aumentar o estoque de hemocomponentes. De acordo com dados da Fundação Pró-sangue, apenas 1,9% da população brasileira é doadora de sangue.

Hematologia e Hemoterapia

Subespecialidade médica com pré-requisito em Clínica Médica, Hematologia e Hemoterapia estuda e trata os distúrbios ligados ao sangue e aos órgãos hematopoéticos. Os profissionais que escolherem essa área podem atuar tanto em clínicas quanto em hemocentros, nos quais serão responsáveis por todos os processos de doação e processamento do sangue.
 
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