Homeopatia: fonte de tratamento e desmistificações

20 de novembro, 2020
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No dia 21 de novembro é comemorado o Dia da Homeopatia e, por isto, para os homeopatas, o mês de novembro é também denominado “novembro verde” em prol da divulgação desta importante especialidade médica. Embora seja considerada por muitos como uma medicina alternativa, a homeopatia é uma especialidade médica reconhecida pelo Conselho Federal de Medicina do Brasil desde 1980 e também validada em vários outros países da Europa, América do Norte e Índia. Desde 1990, o Conselho de Especialidades Médicas da Associação Médica Brasileira reconhece também esta especialidade e realiza provas para o Título de Especialista em Homeopatia.

Pensando nisso, convidamos a Dra. Sabrina Gois, professora na MEDCEL, para falar sobre esta especialidade e os seus principais mitos.

A homeopatia como recurso terapêutico

A homeopatia não é uma filosofia ou uma crendice, e sim uma ciência com seus embasamentos científicos. Assim como a alopatia, que segue o princípio de Hipócrates da “cura pelos contrários” (Contraria Contrariis Curentur), a homeopatia segue o outro método terapêutico também introduzido por Hipócrates, ou seja, “a cura pelos semelhantes” (Similia Similibus Curentur).

Enquanto na alopatia são utilizadas medicações para combater a doença, que tentam inibir os sintomas apresentados para levar à melhora do paciente, a homeopatia dará um medicamento que produz efeitos semelhantes à doença que o indivíduo apresenta, como se fosse uma forma de ensinar o organismo daquela pessoa a reagir à essa doença provocada pelo medicamento e, com isso, levará à melhora do quadro.

A homeopatia como fruto de experimentações

E como será que alguém pensou em tentar tratar o paciente desta forma e não como o habitual?

Assim como na descoberta do antibiótico penicilina  — em que Alexander Fleming observou que as culturas de bactérias, não acondicionadas adequadamente e em um ambiente propício para o surgimento de fungos, não cresciam onde tinha presença de fungos — a homeopatia também foi fruto de experimentações.

Samuel Hahnemann, médico alemão, traduzindo o texto de “Matéria Médica de Cullen”, percebeu que um medicamento muito utilizado na época para malária, a China officinalis, produzia como intoxicação, na ingestão de altas doses, sintomas semelhantes aos da malária, doença para a qual era utilizada, fazendo-o lembrar do princípio hipocrático da cura pelos semelhantes. Então, assim como Alexander Fleming na descoberta da penicilina, ele partiu para a experimentação.

Samuel Hahnemann utilizou a droga em indivíduos saudáveis (isso hoje em dia seria complicado no quesito ética, mas na época ele testou nele mesmo e até nos familiares) e viu que os mesmos desenvolviam sintomas semelhantes à malária. Nos doentes, como os mesmos apresentavam muitos efeitos colaterais, experimentou diminuir as doses, diluindo o medicamento. A partir do processo de agitação vigorosa para melhor diluição (sucussão), ele observou que conforme diluía e sucussionava cada vez mais a medicação, seus pacientes tinham melhora do quadro, sem tantos efeitos colaterais. Ele realizou experimentações com diversas substâncias e registrou em documentos, que hoje são a base da homeopatia.

O médico homeopata

O médico pode optar por qualquer especialidade e agregar a homeopatia. Pode ser clínico, pediatra, nefrologista, ortopedista, entre outros. E não necessariamente um homeopata precisa ser radical a ponto de não prescrever um remédio para febre ou um antibiótico, quando necessário.

Costumo dizer que a homeopatia acaba por fazer o médico se lembrar mais de como deveria ser todo médico, pensar no paciente como um todo e não em uma parte, e só usar um antibiótico, por exemplo, pelo mínimo de tempo necessário e no espectro adequado para a patologia em questão, principalmente na pediatria. Particularmente, eu optei pela homeopatia após a pediatria para agregar ao meu paciente possibilidades de tratamento.

O médico homeopata não exclui — ou pelo menos não deveria — a história, o exame físico, os exames complementares e as avaliações de especialistas, quando necessário. Mas pode ajudar, por exemplo, uma criança com terror noturno, cujos casos leves não há indicação de nenhum tratamento alopático.

Como mencionamos, qualquer especialista pode vir a associar a homeopatia em sua área de atuação. Para tornar-se especialista, você pode cursar uma pós graduação ou ingressar num programa de Residência Médica. Atualmente, já existem alguns programas no Brasil, o que não havia na minha época. Acredito que a Residência Médica possa trazer uma formação mais completa, uma vez que o programa em homeopatia dura 2 anos, com grade curricular regulamentada pelo MEC. Após a conclusão (tanto da pós graduação, quanto da Residência Médica) é recomendado que seja feita a prova para título de especialista em Homeopatia, assim como para as demais especialidades médicas.

Três mitos sobre homeopatia

1. A HOMEOPATIA TEM AÇÃO LENTA

Não. Os remédios homeopáticos podem ser utilizados em tratamentos agudos e com ação rápida, se iniciados precocemente e prescritos adequadamente, evitando a evolução para um quadro pior.

2. A HOMEOPATIA SÓ SERVE PARA QUADROS CRÔNICOS

Não. O que acontece é que muitas vezes o médico homeopata é procurado quando todas as outras terapêuticas não funcionaram.

3. O MEDICAMENTO HOMEOPÁTICO É SÓ ÁGUA OU BOLINHAS DE AÇÚCAR.

Não. O medicamento homeopático é ultradiluído e dinamizado, e a base do tratamento não é a quantidade da substância em si, mas a energia gerada na dinamização (na agitação) realizada no preparo do medicamento. Estudos com espectrofotometria comprovam a diferença entre água pura e entre cada medicamento homeopático diluído.

Profª. Sabrina Gois

A Dra. Sabrina é formada pela Pontifícia Universidade Católica de Campinas, fez Residência Médica em pediatria no Hospital Municipal Infantil Menino Jesus, possui título de especialista em pediatria, pós graduação em homeopatia pela Associação Paulista de Homeopatia, Título de especialista em homeopatia e é preceptora dos residentes de pediatria do Hospital Infantil Cândido Fontoura em atendimento em Unidade Básica de Saúde.

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