Medicina diagnóstica: capacitação, tendências e panorama do mercado

10 de setembro, 2020
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A medicina diagnóstica envolve diferentes especialidades médicas com o objetivo de realizar exames que contribuem com o diagnóstico assertivo de enfermidades de pacientes de diversas áreas médicas. Trata-se de uma especialidade que engloba a medicina por imagem, medicina laboratorial e todas as outras que realizam exames com objetivos diagnósticos.

 

Esses métodos surgiram no fim do século XIX e, desde então, adquiriram ainda mais tecnologia, agregando valor no atendimento médico. Tanto que, atualmente, cerca de 95% das doenças podem ser identificadas precocemente, o que melhora consideravelmente a qualidade de vida de pacientes.

 

A seguir, são apresentados os principais pontos sobre a medicina diagnóstica, seu panorama no Brasil, o futuro da especialidade e as formações necessárias para a prática.

 

O panorama da medicina diagnóstica

 

O aumento da expectativa de vida é uma realidade. De acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), apenas no Brasil, a tendência é que a população viva, em média, até os 76,3 anos. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), o número representa um crescimento da expectativa de vida de seis anos, comparado com crianças que nasceram em 1990. A tendência, inclusive, é que esse número não pare de aumentar.

 

Essas mudanças na população do Brasil e do mundo impactam diretamente todas as especialidades médicas. Com a medicina diagnóstica, não seria diferente. No 1º Bootcamp de Jornalismo em Saúde, realizado em março de 2019, em São Paulo, Conrado Cavalcanti, coordenador médico do Hospital Sírio Libanês, afirmou, de acordo com matéria do portal Saúde Business, que em 2017 foram realizados 820 milhões de exames diagnósticos, um número que representa 3% de crescimento em relação a 2016. Na contramão do crescimento do volume de exames, os gastos com exames diagnósticos caiu 20,75% em 2017, mantendo uma queda que já vinha sendo percebida nos anos anteriores. Estes números representam uma movimentação na economia de 45 bilhões de reais.

 

De acordo com o Cadastro Nacional de Estabelecimentos de Saúde, cerca de 20 mil instituições atuam com Serviços de Apoio à Diagnose e Terapia (SADT). Além disso, 10% a 15% dos 2 milhões de profissionais da área da saúde no Brasil trabalham no setor.

 

Atualmente, os exames relacionados com diagnóstico oncológicos são os mais procurados no Brasil. Há, no entanto, um aumento da procura por exames relacionados com bem-estar, tais como exames de desempenho esportivo, nutrigenéticos e dermagenéticos. Estes, normalmente, estão relacionados com tecnologias mais recentes e avançadas.

 

Tendências da medicina diagnóstica

 

A tecnologia para o desenvolvimento e realização da medicina diagnóstica que, antes era 100% importada de outros países (especialmente Estados Unidos), hoje está sendo desenvolvida fortemente no Brasil. Da mesma forma, a corrida por novos equipamentos mais tecnológicos, foi substituída por uma busca por equipamentos mais eficientes, econômicos e adaptados para as necessidades reais do paciente.

 

Outro ponto importante para as novas tecnologias desse setor está relacionado com a Inteligência Artificial (IA). Essa tecnologia usa de algoritmos e grande volume de dados (Big Data) para criar processos de raciocínio e tomadas de decisão para solução de problemas. Ou seja, máquinas passam a armazenar informações estratégicas de todos os exames já realizadas para, a partir delas, criar inteligência. Nesse caso, aplicada a processos médicos de diagnósticos, os aparelhos passam a auxiliar médicos com a sugestão de diagnósticos e caminhos de tratamentos eficientes.

 

À primeira vista pode parecer algo muito futurístico, mas essa tecnologia já está sendo utilizada em equipamentos de ultrassom, radiografia digital, tomografia computadorizada e ressonância magnética. Mas, é importante ficar atento a um fato: apesar dessas novas tecnologias chamarem muita atenção por serem inovadoras, o foco deve ser sempre melhorar a experiência do paciente. Relacionado a isso, percebe-se ainda uma dedicação das fabricantes de ampliarem a produção de máquinas que tenham a capacidade de realizar exames em pessoas maiores e com obesidade.

 

A impressão 3D também é uma tecnologia que tem a tendência de evoluir muito no Brasil. Esse é um recurso que possibilita, a partir de exames de imagens, que médicos criem versões impressas de tumores ou órgãos, por exemplo, em tamanho real. Isso permite um estudo mais detalhadamente antes de um procedimento.

 

A longo prazo, a expectativa é que a medicina diagnóstica contribua para que doenças sejam tratadas ainda na base molecular, evitando assim chegar a consequências mais graves. Além do benefício para o paciente, isso impacta diretamente na redução dos custos  para os sistemas de saúde.

 

Formação necessária e saídas profissionais

 

A evolução das tecnologias de diagnóstico demandam investimento também em formação médica. Afinal, não adianta oferecer exames com tecnologias de Big Data ou Inteligência Artificial, por exemplo, sem um corpo clínico e técnico especializado e capaz de trabalhar com esses equipamentos.

 

A formação para o profissional que pretende atuar com medicina diagnóstica pode levar de um a três anos. O tempo exato vai depender da área específica que o médico pretende atuar. O Brasil, por exemplo, é referência em diagnósticos por ultrassonografia e o segundo maior em compra de equipamentos de ultrassom de alta tecnologia, como Tridimensional, Doppler e Ultrassom 4D.

 

Apesar da jornada de estudos ser desafiadora, os médicos especialistas podem esperar uma atuação profissional que garante muita qualidade de vida, já que é possível ter horários flexíveis e optar por realizar ou não plantões. É possível atuar em ambiente ambulatorial, hospitalar ou, mesmo, em laboratórios especializados.

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