Ostomizados

04 de dezembro, 2018
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Prof. Dr. Fábio Colagrossi Paes Barbosa

Ostomia (ou estomia) é um procedimento cirúrgico que consiste na realização de uma comunicação entre um órgão oco e o meio externo através da pele. Esse órgão pode estar no meio externo sendo suturado à pele formando uma fístula, ou pode estar fixado por dentro da parede abdominal e comunicando-se com o meio externo através de uma sonda. Pode ser realizada com uma porção do tubo digestivo, aparelho respiratório ou urinário.

A ostomia pode ser temporária (sendo o paciente reoperado no futuro para reconstrução do trânsito), ou definitiva.

O estoma é um orifício do órgão que foi exteriorizado. Os mais comuns são:

– Cólon (colostomia);

– Íleo (ileostomia);

– Jejuno (jejunostomia);

– Estômago (gastrostomia);

– Esôfago (esofagostomia);

– Traqueia (traqueostomia);

– Bexiga (cistostomia);

– Nefrostomia (exteriorização dos rins).

Indicações

Existem várias indicações para confecção de estomas, entre elas:

– Impossibilidade de realização de anastomose primária após uma ressecção do intestino, devido à instabilidade hemodinâmica ou à grande contaminação da cavidade abdominal;

– Proteção de anastomose realizada com risco de fístula. Por exemplo, realizamos uma anastomose do cólon no reto baixo (com maior risco de fístula), e, em seguida, confeccionamos uma colostomia ou ileostomia proximal à anastomose para evitar a passagem de fezes pela anastomose por um determinado tempo;

– Para alimentação. Tanto a gastrostomia quanto a jejunostomia são utilizadas para introdução de dieta enteral, melhorando a condição nutricional de um paciente que está impossibilitado de se alimentar por via oral;

– Para via respiratória através da traqueia, indicada para pacientes com obstrução das vias aéreas superiores ou com longos períodos de intubação orotraqueal;

– Via urinária através da cistostomia, indicada para pacientes com lesão de uretra ou obstrução por aumento da próstata.

Bolsa coletora

O paciente deve utilizar uma bolsa coletora do material exteriorizado. Há vários tipos, e elas são indicadas de acordo com a localização do estoma, da idade, da pessoa e do tipo de material. Essas bolsas coletoras podem ser drenáveis ou não, opacas ou transparentes e em uma ou duas peças.

Alimentação

Deve-se ter especial atenção à alimentação dos pacientes com colostomia ou ileostomia. É necessário introduzir alimentos novos em pequena quantidade e observar a resposta. Com o tempo, o paciente poderá se alimentar quase da mesma forma que fazia antes do procedimento. Mudanças como aumento de gases, diarreia ou constipação devem ser observadas.

Cuidados

Os cuidados com o estoma devem ser diários, a fim de evitar complicações graves como a dermatite, hérnia paracolostômica e desabamento da estomia. Atentar sempre para cor da alça intestinal, brilho e umidade. A limpeza do estoma deve ser feita delicadamente, e a pele ao redor deve ser protegida pela placa que fixa a bolsa.

Atendimento

As pessoas com estomas podem ser atendidas em serviços de atenção aos ostomizados, que são unidades de saúde especializadas. Essas unidades devem desenvolver ações de reabilitação que incluem orientações para o autocuidado, a prevenção, o tratamento de complicações no estoma, a capacitação de profissionais e o fornecimento de equipamentos coletores e de proteção e segurança (bolsas coletoras, barreiras protetoras de pele sintética, coletor urinário).

Devem também ter equipe multiprofissional com acompanhamento psicológico, equipamentos e instalações físicas adequadas integradas à estrutura física dos centros de saúde.

Direitos

Os ostomizados são considerados portadores de deficiência física, e, desse modo, podem usufruir dos direitos que a lei garante, como compra de veículos adaptados com isenção de impostos, isenção da tarifa em transporte urbano coletivo, entre outros, desde que cumpridos os demais requisitos da lei.

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