Taquiarritmias em Pediatria: quais são os tipos e tratamentos

15 de dezembro, 2020
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Suporte avançado de vida em Pediatria é um assunto importante, tanto nas provas, quanto na vida prática. Saber reconhecer rapidamente as arritmias cardíacas e as condutas a serem tomadas vão ajudar você a se sair bem na prova de Residência Médica, de Revalidação e, também, a salvar vidas. Por isso, hoje vamos falar particularmente das taquiarritmias em Pediatria.

 

As taquiarritmias são alterações no ritmo cardíaco que levam a um aumento da frequência cardíaca (FC). Então, a primeira dica que quero que você aprenda hoje é:

 

Qual a FC normal para cada faixa etária? 

Figura 1. Valores de referência da frequência cardíaca em crianças de 0 a 18 anos. Taquiarritmias em Pediatria - Frequência Cardíaca 1

Agora que você já sabe a frequência cardíaca normal, você já sabe o primeiro passo para identificar uma taquiarritmia. No geral, a sintomatologia é bem inespecífica. Pode se apresentar nos lactentes como irritabilidade, inapetência, ou em qualquer faixa etária com desconforto respiratório ou pode estar associada a condições como febre, hipovolemia, distúrbios hidroeletrolíticos, etc.  A partir da suspeita, você deve entender que o aumento da frequência cardíaca pode ter formas de apresentação diferentes dependendo de onde se inicia o estímulo elétrico deste ritmo. Pensando nisso, vamos para a dica nº 2:

 

Quais são os principais tipos de taquiarritmias em pediatria e onde o impulso elétrico se inicia?

TAQUICARDIA SINUSAL: impulso elétrico se inicia no nó sinusal;
TAQUICARDIA VENTRICULAR: o impulso elétrico tem início no ventrículo;
-TAQUICARDIA SUPRAVENTRICULAR: o impulso elétrico se inicia logo acima do ventrículo, com reentrada por uma via de condução acessória;

 

IMPORTANTE: A taquicardia supraventricular é a taquiarritmia mais comum na infância!

 

Agora que você já sabe quais são as principais taquiarritmias, a nossa próxima dica é:

 

Como identificar as taquiarritmias em pediatria no eletrocardiograma?

-TAQUICARDIA SINUSAL: onda P normal, QRS estreito, PR constante e RR variável, com aumento da FC.

 

TAQUICARDIA VENTRICULAR: onda P ausente ou sem relação com o complexo QRS, QRS largo, ondas T com polaridade oposta ao QRS.

 

A taquicardia ventricular pode se apresentar também com um aspecto polimórfico em que há alteração de polaridade e de amplitude dos complexos QRS, sendo denominada torsades de pointes.

 

-TAQUICARDIA SUPRAVENTRICULAR: onda P ausente ou, se presente, com morfologia anormal. Nem sempre é possível determinar o intervalo PR. O RR é constante e o QRS estreito.

 

 

Se você reconhece que o paciente tem uma taquiarritmia qual é o seu tipo, vamos para a nossa última dica:

 

Como tratar as taquiarritmias em pediatria?

-TAQUICARDIA SINUSAL: tratar a doença ou distúrbio de base que levou a este quadro.

-TAQUICARDIA VENTRICULAR: avaliar se paciente apresenta pulso ou não.

Paciente estável com pulso: cardioversão elétrica (0,5-1 J/kg) ou farmacológica (amiodarona, lidocaína ou procainamida).

Paciente sem pulso ou inconsciente: iniciar manobras de ressuscitação cardiopulmonar. Desfibrilação com carga inicial de 2J/kg e, se não houver resposta, aumentar para 4J/kg (máx de 10J/kg). Após 2º choque sem resposta, avaliar a introdução de antiarrítmico (amiodarona, lidocaína ou procainamida).

Torsade de pointes: sulfato de magnésio.

 

 

-TAQUICARDIA SUPRAVENTRICULAR (TSV): a conduta depende se o paciente está estável ou instável. A instabilidade é definida como a presença de sinais e má perfusão, como extremidades frias, tempo de enchimento capilar prolongado, hipotensão, alteração do nível de consciência, como sonolência ou irritabilidade, e redução da diurese.

 

TSV estável: manobras vagais (gelo na face ou Valsalva) até obtenção de acesso venoso para prosseguir tratamento. A conduta consiste em adenosinar ou sedar e preparar o paciente para cardioversão sincronizada se não for possível obter acesso ou evoluir com instabilidade.

 

TSV instável:  adenosina, 1ª dose de 0,1 mg/kg (máx de 6 mg) e 2ª dose de 0,2 mg/kg (máx de 12 mg) ou sedação e analgesia seguida de cardioversão elétrica (0,5-1 J/kg, aumentar para 2J/kg em cargas subsequentes).

 

Esse foi um resumo básico para que você possa saber os pontos essenciais deste tema e acerte todas as questões da sua prova. Bons estudos!

 

Esse conteúdo foi escrito pela professora e Dra. Sabrina Gois.

A Dra. Sabrina é formada pela Pontifícia Universidade Católica de Campinas, fez Residência Médica em pediatria no Hospital Municipal Infantil Menino Jesus, possui título de especialista em Pediatria, pós graduação em Homeopatia pela Associação Paulista de Homeopatia, Título de especialista em Homeopatia e é preceptora dos residentes de Pediatria do Hospital Infantil Cândido Fontoura em atendimento em Unidade Básica de Saúde.

 

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